Como a Agrojoias transformou o campo em moda e virou franquia nacional
Carla Boaventura
03 de julho de 2026
Há 24 anos no mercado de acessórios, Cecília Castro, que hoje comanda a Agrojoias, não imaginava que um colar de soja seria o objeto capaz de romper fronteiras. O que começou como durante a pandemia se transformou em uma rede com 16 unidades franqueadas, presença na Colômbia e expansão planejada para os Estados Unidos.
A marca nasceu como uma linha dentro da Nulya, empresa familiar fundada pela sogra da empreendedora. Foi nos primeiros meses da pandemia, quando ela assumiu a gestão criativa do negócio, que uma cliente fez uma pergunta: por que não havia nada voltado ao agronegócio? A resposta veio em forma de produto. Três modelos foram lançados, com pingentes de chapéu, cavalo e bota. E o quarto lançamento mudou tudo. Foi o colar de soja que levou a marca para outro nível. “Ele cruzou fronteiras”, recorda a empreendedora.
O sucesso evidenciou um nicho pouco explorado pelo mercado de jóias e acessórios. Com o tempo, ficou claro que a linha merecia identidade própria. Em 2024, nasceu oficialmente a Agrojoias como marca independente e, com ela, o modelo de franquias.
Um mercado maior do que parece
Engana-se quem associa o universo do agro exclusivamente ao público masculino. A fundadora da Agrojoias é direta ao corrigir esse equívoco. “Muitas mulheres deixaram outras profissões para assumir fazendas. São filhas de produtores, herdaram propriedades, estão à frente de grandes operações de gado, soja e algodão. É um público feminino muito grande”, afirma.
Ela acrescenta ainda uma camada emocional ao consumo. “Mulheres que não atuam diretamente no campo, mas que cresceram nesse ambiente, desenvolvem uma conexão afetiva com as peças. É identidade antes de ser acessório”.
As franquias
A decisão de franquear foi uma grande estratégia. Com uma estrutura enxuta, formada por ela, o marido e a filha, expandir com lojas próprias seria inviável sem comprometer a produção. “Produção, aqui, é palavra sagrada: a Agrojoias não terceiriza nada. As peças são criadas e fabricadas internamente. As ideias partem de mim, os designers fazem a transposição para o digital. Então, para que isso funcionasse, teria que ser uma franquia”, explica.
Crescimento com critério
Hoje com 16 unidades abertas, a rede não corre atrás de números a qualquer custo. A fundadora afirma que nega pedidos de cadastro diariamente, inclusive de pessoas com plena capacidade financeira de investimento. “Tem produtor rural que nos procura, mas às vezes quer abrir mais por ego, para que a esposa tenha algo para chamar de seu. A gente percebe que não é o perfil”, diz ela.
O franqueado ideal, segundo ela, não precisa ser do agro. Precisa ser empreendedor de verdade: alguém que esteja dentro da operação, que participe de eventos, que tenha paixão pelo que faz. “Eu quero construir um ecossistema saudável e forte. Não uma rede grande e frágil”, resume.
Com expansão internacional em curso e um modelo de seleção rigoroso, a Agrojoias aposta que o segredo do campo, paciência, cuidado com o que se planta, e isso também vale para franquias.
