“Lojas Americanas” deixa recuperação judicial após 3 anos
Carla Boaventura
23 de outubro de 2026
A Justiça do Rio de Janeiro decretou, na última segunda-feira (19), o fim da recuperação judicial do Grupo Americanas. A decisão, da 4ª Vara Empresarial da capital, considera que o grupo cumpriu as obrigações do plano de recuperação judicial.
Em entrevista ao Canal CNN Brasil Money, Ana Paula Tosi, CEO da AGR Consultores, explicou que a saída da “Americanas” da recuperação judicial é, primeiro é extremamente positiva para o mercado, porque demonstra a seriedade da companhia em resgatar sua credibilidade.
Os controladores da Americanas, o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sucupira e Marcel Telles injetaram R$ 12 bilhões de reais no começo da recuperação. “A capitalização não quer dizer que esse valor foi usado para quitação de dívidas. Foi para a operação continuar funcionando”, pontuou.
Como estratégia para enfrentar a crise, o grupo separou sua operação em dois grupos: quem lidaria com o pessoal e quem lidaria com o futuro. “Foram rentabilizar a operação das lojas, fechar as lojas não operacionais, rediscutir os seus canais digitais”. Sendo assim, segundo Tose, ao longo desse prazo, de janeiro de 2023, até o pedido da Americanas para sair da RJ, em março desse ano, e a homologação em outubro, a companhia fez um movimento consistente.
PROTAGONISMO NO VAREJO
Durante esse processo, a Americanas perdeu parte de seu espaço o Varejo para empresas como o Mercado Livre. Sobre a capacidade de retomar seu espaço no mercado, a CEO explicou que, prioritariamente, a companhia precisa retomar a totalidade da sua operação, sua rentabilidade, sua capacidade de gerar caixa, antes de imaginar que ela vai ser uma gigante novamente “Nesses três anos a concorrência ganhou espaço, imagino que nesse momento o objetivo é retomar o protagonismo, mas não necessariamente o gigantismo da operação”.
LINHAS DE CRÉDITO
Questionada sobre a capacidade da Americanas de reconquistar linhas de crédito bancário tradicionais, Ana pontuou que antes da confiança das instituições financeiras, a Americanas precisa retomar a confiança nos seus fornecedores. “É um dos pilares mais importantes do crescimento do varejo. Eu preciso que o meu fornecedor volte a acreditar na minha capacidade de pagamento, volte a me dar prazo, volte a me dar financiamento e volte a trabalhar comigo”
A segunda conquista, segundo a executiva, é reconquistar o consumidor. “Ela precisa reconquistar seu consumidor nas lojas, nesse ambiente digital como um todo, na compra online, na retirada na loja. Precisa voltar a ser um ambiente de confiança do consumidor”.
Esses números começam a refletir na operação e as instituições financeiras querem, sem dúvida nenhuma, emprestar com mais segurança, financiar com mais segurança.
OBRIGAÇÕES APÓS O ENCERRAMENTO
Com a decisão, segundo o Site Migalhas, o administrador judicial deverá apresentar, em 15 dias, relatório sobre a execução do plano de recuperação e, em 30 dias, prestar contas para fins de quitação de seus honorários.
A sentença também determina a exoneração da administração judicial, a dissolução do Comitê de Credores, caso constituído, e a comunicação do encerramento à Junta Comercial e à Receita Federal.
