Número de Corretores de Seguros no Brasil cresce, mas educação ainda é o maior desafio
Carla Boaventura
31 de julho de 2026
O Brasil vive um momento de transformação no setor de seguros. Com mais de 149 mil registros ativos de corretores, entre pessoas físicas e jurídicas, o país alcançou a proporção de aproximadamente 1 corretor para cada 1.430 habitantes.
Esse crescimento representa uma evolução significativa em relação ao ano de 2023, quando o Brasil havia aproximadamente 0,000358 corretores de seguros pessoa física por habitante no Brasil, o que equivale a uma proporção de 1 corretor para cada 2.797 pessoas.
No entanto, essa expansão da oferta contrasta com uma realidade incômoda: o Brasil continua sendo um país com baixa penetração de seguros, especialmente quando comparado a outras economias desenvolvidas.
O paradoxo da oferta e demanda
À primeira vista, o crescimento do número de corretores deveria impulsionar o aumento da contratação de seguros. Mas essa lógica simples, infelizmente, não é seguida. O problema não é a falta de profissionais dispostos a vender seguros, é a falta de conhecimento do público sobre o que o mercado pode entregar.
A maioria dos brasileiros ainda não compreende plenamente o valor de um seguro. Para muitos, contratar proteção é visto como um gasto desnecessário, um luxo, ou uma obrigação, como ocorre com o seguro do automóvel.
Por outro lado, a educação financeira e sobre seguros é praticamente inexistente na formação básica do brasileiro. As pessoas crescem sem aprender sobre gestão de riscos e sobre proteção patrimonial. Quando um brasileiro adulto é abordado por um corretor, muitas vezes não consegue nem responder perguntas básicas como: "Qual é meu patrimônio?", "Quais são meus riscos?", "Quanto custaria para minha família se eu não estivesse aqui?".
Ter 149 mil corretores de seguros é excelente, mas essa disponibilidade de oferta perde seu potencial se não houver demanda consciente do outro lado.
O Brasil precisa de mais pessoas educadas em seguros. Até lá, a questão permanece: somos um país com muitos vendedores de seguros, mas com poucos compradores que realmente entendem por que deveriam comprar.
