Varejo brasileiro avança 4,7% em julho impulsionado pelo mercado de trabalho, revela Stone
Crescimento anual do setor atinge 24 estados, mas juros altos e endividamento ainda limitam recuperação ampla
Clipagem
17 de agosto de 2026
O volume de vendas do varejo brasileiro registrou um crescimento de 4,7% no mês de julho em comparação ao mesmo período de 2025. Na margem mensal, o setor apresentou um avanço de 0,9% na comparação com junho, segundo dados do indicador da empresa de meios de pagamento StoneCo divulgados nesta segunda-feira (17), informa a Reuters.
O desempenho do mês mostrou reação em grande parte do setor. No confronto mensal, cinco dos oito segmentos pesquisados pela empresa registraram expansão no volume de vendas em julho. O destaque positivo ficou com a categoria de Artigos Farmacêuticos, que liderou as altas do mês com uma evolução de 2,5%.
Na avaliação interanual — comparando julho deste ano com o mesmo mês de 2025 —, o ritmo de recuperação se mostrou ainda mais abrangente, com taxas positivas em sete dos oito setores analisados. A maior alta foi contabilizada pelo segmento de Combustíveis e Lubrificantes, que disparou 9,1%. Em contrapartida, o setor de Tecidos, vestuário e calçados figurou como a única retração do período, acumulando uma queda de 5,6%.
Geograficamente, a expansão do consumo espalhou-se por quase todo o território nacional. Dos 27 entes federativos, 24 estados registraram crescimento nas vendas na comparação anual. O Estado de Roraima liderou o ranking nacional com um avanço de 18,2%. Entre as macro-regiões do país, o Norte despontou com o melhor desempenho relativo ao alcançar uma alta de 6,6%.
De acordo com Guilherme Freitas, economista e pesquisador da StoneCo, os números consolidam a trajetória de recuperação do setor comercial iniciada em junho, embora o ambiente macroeconômico ainda imponha entraves relevantes para o consumo das famílias.
“O mercado de trabalho continua sendo o principal sustentáculo do consumo, com desemprego baixo, renda em nível elevado e crescimento do rendimento real. Por outro lado, o elevado comprometimento da renda das famílias e o custo ainda alto do crédito segue limitando uma recuperação mais disseminada, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento”, explicou Freitas.
O economista ressaltou ainda que, embora o ciclo de flexibilização monetária e redução das taxas de juros tenda a aliviar as condições financeiras do país, os reflexos positivos no comércio não ocorrem de forma imediata. Segundo Freitas, os efeitos da queda dos juros ainda devem levar algum tempo para se refletir de maneira mais ampla e consistente na atividade econômica geral.
Fonte: Brasil 247
