Faltam apenas 15 dias para a ABF 2026, a maior feira de franquias do mundo, e a expectativa do mercado cresce na mesma velocidade que uma pergunta começa a circular nos corredores do franchising: o que realmente será novidade neste ano?
A pergunta parece simples, mas carrega uma provocação importante. Nos últimos anos, o setor de franquias brasileiro mostrou uma capacidade admirável de crescimento. O faturamento avançou, novas marcas surgiram, redes expandiram suas operações e o interesse dos investidores continuou elevado. O franchising deixou há muito tempo de ser uma alternativa para poucos e passou a ocupar um papel relevante na economia nacional.
Mas crescimento e inovação são coisas diferentes.
Quem acompanha o mercado há algum tempo sabe que muitas vezes as feiras acabam apresentando versões atualizadas das mesmas ideias. Trocam-se os layouts, modernizam-se os estandes, acrescenta-se uma dose de inteligência artificial na apresentação comercial e pronto: nasce uma suposta inovação. O problema é que o investidor de 2026 já não se impressiona tão facilmente.
Ele está mais experiente. Mais desconfiado. E, principalmente, mais interessado em resultado do que em promessas.
A edição de 2025 deixou isso bastante claro. O evento reuniu centenas de expositores e mostrou a força de segmentos como saúde, beleza, alimentação, serviços e bem-estar. Ao mesmo tempo, evidenciou uma mudança no perfil dos visitantes. O público passou a buscar menos a franquia da moda e mais negócios capazes de sobreviver aos desafios do mercado.
Talvez seja justamente esse o grande tema da ABF 2026.
Enquanto muitos esperam encontrar a próxima rede revolucionária, existe uma chance considerável de que a principal tendência seja exatamente o oposto: a valorização das empresas que fazem o básico muito bem feito.
Pode parecer pouco empolgante, mas é uma mudança enorme.
Durante anos, parte do mercado foi alimentada pela ideia de que bastava abrir unidades rapidamente para construir uma grande rede. Hoje, o cenário é diferente. Custos operacionais aumentaram, a concorrência ficou mais intensa, os consumidores estão mais exigentes e os franqueados passaram a questionar mais profundamente os números apresentados pelos franqueadores.
Em outras palavras, o mercado amadureceu.
E talvez essa seja a maior novidade da ABF 2026.
A inteligência artificial certamente será um dos assuntos mais comentados da feira. Se em 2024 e 2025 ela aparecia como uma promessa, agora deverá surgir como ferramenta efetiva para gestão, atendimento, marketing e análise de dados. A dúvida é descobrir quantas empresas realmente incorporaram a tecnologia aos seus processos e quantas apenas descobriram que colocar a sigla “IA” em uma apresentação comercial ajuda a atrair visitantes.
O mesmo vale para termos como automação, experiência do cliente, omnicanalidade e transformação digital. Todos são importantes. Todos são necessários. Mas já não bastam para convencer investidores que aprenderam, muitas vezes da forma mais difícil, que palavras bonitas não pagam boletos.
Outro movimento que deve ganhar destaque é o crescimento das operações mais enxutas. O investidor atual busca rentabilidade. Ele quer negócios capazes de gerar caixa, operar com eficiência e apresentar retorno consistente. A busca desenfreada por faturamento, sem atenção à lucratividade, perdeu espaço para uma visão mais racional do empreendedorismo.
E isso é uma ótima notícia para o setor.
Porque, convenhamos, o mercado de franquias já teve sua fase adolescente. Aquela época em que toda marca prometia dominar o Brasil em cinco anos, abrir centenas de unidades e transformar qualquer investidor em um empresário de sucesso quase instantâneo.
A realidade mostrou que não funciona assim.
Franquias continuam sendo excelentes modelos de expansão, mas exigem gestão, dedicação, processos e muito trabalho. A boa notícia é que o investidor parece finalmente ter entendido isso.
Por isso, quando os portões da ABF 2026 se abrirem, talvez a pergunta não deva ser qual será a franquia mais inovadora da feira.
A pergunta correta talvez seja outra.
Quais marcas conseguiram evoluir de verdade?
Porque inovação não é apenas lançar algo novo. É criar valor. É resolver problemas. É gerar resultado para franqueados, consumidores e investidores.
Se a ABF 2026 conseguir mostrar isso, estaremos diante de uma das edições mais importantes dos últimos anos. Não pela quantidade de lançamentos ou pelo tamanho dos estandes, mas porque poderá marcar a consolidação de um franchising mais maduro, mais profissional e menos dependente de promessas fáceis.
E, para um mercado que cresceu tanto nos últimos anos, talvez essa seja a melhor novidade possível.
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